# 9 — Melhorias sobre a especificação inicial Revisão feita em cima de `docs/01` a `08` e dos quatro protótipos originais. Cada item traz o que muda, por que, e o que foi descartado. Onde a mudança mexe no banco, o efeito está em `sql/schema-v2.sql`; onde mexe na interface, está em `prototipos/v2/aprova.html`. As três regras de `01-produto.md` continuam de pé — nenhuma melhoria aqui as contraria. --- ## M1 — Aprovação explícita por item · MUDA O BANCO O produto se chama Aprova e não tinha estado de aprovação. O cliente comentava, e a ausência de comentário era interpretada como concordância. Não é a mesma coisa: silêncio pode ser "está bom" ou "ainda não olhei", e o estúdio não tinha como distinguir. Cada versão de cada item passa a ter três estados do lado do cliente: | estado | quem define | significa | |---|---|---| | `pendente` | padrão | ainda não foi olhado | | `aprovada` | o cliente, com um clique | fechado, pode seguir | | `ajustes` | automático ao primeiro comentário | tem pedido pendente | `ajustes` nunca é escolhido à mão: comentar já diz o que precisa dizer. Um botão a menos. Isso muda o painel inteiro. "11 de 14 aprovadas" é o número que o estúdio quer, e ele não existia. A grade passa a ser um quadro de situação em vez de uma lista de arquivos. **Descartado:** aprovação com assinatura ou aceite formal. Vira contrato, atrasa o clique, e o registro em `eventos` já dá a prova de quem aprovou o quê e quando. ## M2 — Vídeo e animação entram na primeira versão · MUDA O BANCO `01-produto.md` deixou vídeo fora de escopo. Estúdio de archviz entrega animação junto com a imagem estática, na mesma rodada. Uma ferramenta de aprovação que aceita metade da entrega manda o cliente de volta para o WhatsApp na outra metade — e aí o registro, que é o valor do produto, fica pela metade também. O comentário passa a guardar o instante do vídeo além do ponto na tela. Na linha do tempo os comentários aparecem como marcadores; clicar num deles leva o vídeo para aquele segundo. É o padrão que o mercado já ensinou ao cliente. **Consequência técnica que não estava prevista.** `03-arquitetura.md` dimensionou disco e tráfego para imagem. Vídeo muda a conta: - O arquivo de entrega (ProRes, EXR em sequência) não é servível. Precisa de uma cópia de revisão em H.264 1080p, ~5 Mbit/s — cerca de 15 MB para 24 segundos. - Hospedagem compartilhada não costuma ter `ffmpeg`. A conversão vai para a máquina do estúdio, exatamente como D5 já resolveu para a pirâmide. - Servir vídeo exige atender `Range` no endpoint PHP, senão o cliente não consegue arrastar a linha do tempo sem baixar o arquivo inteiro. São umas trinta linhas, mas precisam existir. **Descartado:** deixar para a fase 5. O custo de entrar agora é a coluna `tipo` e um player; o custo de entrar depois é reabrir o modelo de dados com projeto rodando. ## M3 — Marcação de área e de seta, não só o pino O pino resolve "aqui". Boa parte do retorno real não é pontual: - *"essa parede inteira está texturizada"* — é uma região - *"puxa esse vaso para junto da janela"* — é uma direção, tem origem e destino Com só um ponto, o cliente escreve mais para compensar, e escrever mais é onde a ambiguidade entra. Três ferramentas cobrem o que aparece na prática: ponto, área e seta. No banco isso custa duas colunas. Área e seta são o mesmo dado — dois pares de coordenadas — e só mudam no desenho. Pino usa um par e deixa o outro nulo. ## M4 — Conversa dentro do comentário · MUDA O BANCO O modelo original tinha `resposta TEXT` no comentário: um campo, uma resposta, fim. Não resolve o caso mais comum, que é o estúdio precisar perguntar de volta. > — A cor das paredes deveria puxar mais para o bege. > — Bege como o do lounge ou o do briefing? São diferentes. Sem isso, essa pergunta vai para o WhatsApp e o registro se rompe justo no ponto que interessa. Vira tabela `comentario_respostas`, com autor dos dois lados e ordem cronológica. A resposta da equipe continua invisível para o cliente enquanto a rodada não fecha — mesma lógica de fase, na direção contrária. ## M5 — Anexo no comentário · MUDA O BANCO `04-modelo-de-dados.md` previu `ref_path` no espaço: uma referência de briefing por imagem. Não cobre a referência que pertence a um pedido específico — a foto da cadeira, o print do catálogo, o recorte da pedra. No caso 056, vários apontamentos eram literalmente "conferir imagem de referência", e a imagem estava em outro lugar. Tabela `anexos`, ligada ao comentário. O anexo é do pedido, não do ambiente. Os dois convivem. **Três formas de anexar, porque as três acontecem:** escolher o arquivo, arrastar para cima do campo, e **colar**. Colar é a mais usada e a mais esquecida — quem manda referência de cadeira ou de pedra vem de um print, e obrigar essa pessoa a salvar o print em disco antes é onde ela desiste e volta para o WhatsApp. Clicar no anexo abre a imagem no painel lateral, o mesmo que exibe a referência do briefing. Se o item tiver as duas, um botão alterna. Reaproveita o painel em vez de inventar uma janela. ## M6 — Importar o retorno que chegou por fora `origem ENUM('plataforma','importado')` já existia no schema, sem tela. Vale virar recurso de verdade, porque é o que faz a plataforma ser adotada em vez de abandonada na primeira rodada. O cliente não muda de hábito porque o estúdio comprou uma ferramenta. Na rodada 1 ele ainda manda por WhatsApp. A tela recebe o texto colado, quebra em itens por linha, e o estúdio arrasta cada item para a imagem certa. O apontamento entra marcado como importado, com o nome de quem falou. Não é elegante. É a ponte, e sem ela a rodada 1 acontece fora da plataforma — o que significa que a rodada 2 também. ## M7 — A trava da equipe passa a se explicar A regra 1 é o que diferencia o produto. Na v1 ela aparecia como ausência: a equipe abria o projeto e não havia nada. Ausência sem explicação é lida como defeito, e defeito percebido vira chamado de suporte ou, pior, alguém pedindo para desligar a regra. Duas correções: **A equipe continua vendo as imagens.** O que fica escondido é o retorno do cliente, não o trabalho dela. Esconder o projeto inteiro é mais do que a regra pede. **A trava diz o motivo, no lugar onde ela acontece.** No lugar da lista vazia, uma frase: enquanto a janela está aberta, um revisor ainda pode mudar de ideia ou contradizer o outro, e corrigir agora costuma virar retrabalho. Custo: um parágrafo. Efeito: a limitação passa a ser lida como método. ## M8 — Escuro neutro na revisão, claro na gestão Os protótipos originais revisavam a imagem sobre `#f6f3ef` — bege claro. O entorno desloca a cor percebida, e cor é exatamente o que está sendo aprovado. Discussão de tom de terracota sobre fundo bege é discussão contaminada pela ferramenta. O visualizador vai para cinza neutro sem tinta. A gestão continua clara e quente — ali não há julgamento de cor e o claro lê melhor em texto e formulário. Além disso, um seletor de entorno com quatro opções (preto, grafite, cinza médio, cinza claro). Quem trabalha com imagem conhece esse controle do Photoshop e sente falta dele. ## M9 — O campo de escrever fica no ponto marcado Marcar na imagem e escrever num painel do outro lado da tela quebra a ligação entre as duas coisas — e é onde o comentário perde precisão, porque quem escreve já não está olhando o ponto. O campo abre ancorado na marcação, com o texto a poucos pixels do que ele descreve. ## M10 — Relatório da rodada sobe da fase 4 para a fase 2 Estava listado como último item da fase 4, junto com cobrança e notificações. É o argumento de venda mais forte que o produto tem, e o mais barato de construir: é uma leitura da tabela `eventos`, que já existe. *"Três meses depois, ninguém prova o que foi pedido e quando"* é um dos quatro problemas de `01-produto.md`. Os outros três já tinham resposta na fase 2; esse ficou para o fim. Uma página com a linha do tempo, a situação de cada item e a lista de pedidos com autor e horário. Imprimível. ## M11 — Atalhos de teclado O estúdio percorre 14 imagens várias vezes por dia. Setas para navegar, `F` para ajustar, `1` para resolução total, `C` para comparar, `R` para a referência, `A` para aprovar, espaço para tocar o vídeo. `Esc` fecha, e fecha primeiro o comentário em edição. Custo baixo, e é a diferença entre a ferramenta parecer profissional ou parecer um site. ## M12 — Progresso visível para o cliente A falha mais comum de revisão não é o cliente discordar: é ele revisar seis das quatorze e achar que terminou. Uma barra no topo — *"8 de 14 revisadas"* — e o botão de encerrar só ganha peso quando o número fecha. ## M13 — Etapas de produção com check da equipe · MUDA O BANCO A execução era uma lista de comentários com um campo de situação. Isso descreve o pedido do cliente, não o trabalho do estúdio. São coisas diferentes: um comentário pode estar resolvido sem que a imagem esteja pronta, porque ainda falta render e pós. Cada projeto ganha um pipeline de etapas — modelagem, materiais, iluminação, render, pós-produção, revisão interna. Vem de um modelo por estúdio, porque cada casa tem o seu, e é copiado para o projeto quando ele nasce: projeto começado não pode mudar de forma porque alguém editou o modelo depois. Cada item em produção tem um estado por etapa: não começou, fazendo, feita, não se aplica. **A interface é uma matriz item × etapa, não um kanban.** Kanban assume que o trabalho anda peça por peça. Não é o que acontece em archviz: o artista faz a iluminação das seis imagens de uma vez, depois manda todas para render. Na matriz dá para ler a coluna inteira e ver o que falta naquela etapa — e marcar a coluna toda de uma vez. Só entra na matriz o que o cliente pediu para ajustar. Item aprovado está fechado e não aparece, o que mantém o quadro do tamanho do trabalho real. O comentário pode apontar para uma etapa. É opcional, e é o que permite puxar "todos os ajustes de iluminação de todas as imagens" numa lista só. **O estúdio edita o pipeline.** Não existe pipeline universal de archviz, e um que não se ajusta é abandonado na primeira semana. A tela de etapas permite renomear, reordenar, adicionar e remover, em dois níveis: | onde | vale para | quando aplica | |---|---|---| | Modelo do estúdio | projetos novos | na criação do próximo projeto | | Etapas deste projeto | só ele | na hora | Editar o modelo não mexe em projeto rodando. Projeto que já começou não muda de forma porque alguém ajustou o padrão da casa depois — é a mesma razão pela qual `etapas` é uma cópia e não uma referência a `etapas_modelo`. **Cada etapa diz para que tipo ela vale:** imagem, vídeo, ou os dois. Sem isso, toda linha de vídeo no quadro exigia marcar "não se aplica" à mão nas etapas que só existem para render estático — trabalho manual para uma informação que o sistema já tem. Pós-produção sai só nas imagens; montagem e trilha, só nos vídeos. **Editar um projeto em andamento avisa o que vai acontecer.** As duas consequências são reais e nenhuma é óbvia: - Etapa nova entra como não iniciada em todo item, e o percentual que o cliente vê **cai**. A tela mostra o número antes e depois: *"vai de 39% para 33% — ele vai ver o número cair"*. - Etapa removida leva junto a marcação já feita. A tela nomeia quais etapas têm trabalho registrado antes de deixar salvar. Ferramenta que deixa o número do cliente cair sem avisar queima confiança uma vez só. **Descartado:** prazo e horas por etapa. Vira controle de ponto, é o tipo de campo que o artista deixa de preencher na segunda semana, e aí o quadro inteiro perde confiabilidade. **Descartado:** arrastar para reordenar. Setas para cima e para baixo funcionam com teclado, não quebram no toque e não custam biblioteca. Arrastar entra quando a lista passar de dez etapas, se passar. ## M14 — O cliente acompanha a correção, se o estúdio quiser · MUDA O BANCO Entre "comentei" e "chegou a v2" o cliente ficava no escuro por dias. Esse silêncio é a origem da mensagem *"e aí, como está?"* — que chega no WhatsApp, fora da plataforma, e leva junto o resto da conversa. Depois que a janela fecha, a página do cliente ganha um painel: percentual concluído, data prevista para a próxima versão, e a situação de cada item que ele pediu para ajustar. **O cliente não vê a matriz.** Vê o rótulo público da etapa mais avançada de cada item — *"Iluminação"*, *"Renderizando"*, *"Pronta para a próxima entrega"*. Cada etapa carrega uma marca de pública ou interna: revisão interna, por exemplo, conta no percentual mas não aparece. Vários nomes internos podem cair no mesmo rótulo público quando o estúdio preferir dar andamento sem expor o método. **E dá para desligar.** Interruptor por projeto, na tela de envio e no cabeçalho do quadro. Há cliente e há contrato em que mostrar produção não ajuda — quem decide é o estúdio, não a plataforma. Ligado por padrão, porque o ganho de confiança compensa na maioria dos casos. A data prevista é o que o cliente realmente quer saber. Ela é digitada pelo estúdio, não calculada: estimativa automática de entrega em produção criativa erra, e errar uma data que a ferramenta prometeu é pior do que não prometer nada. **Descartado:** notificar a cada etapa concluída. Seis etapas × quatorze itens é spam. O cliente é avisado quando a versão sobe; o painel fica lá para quem quiser olhar antes. ## M15 — Lista de tarefas: a área interna do estúdio · MUDA O BANCO > Primeira tentativa descartada. Ela era uma tabela de itens agrupada por situação do cliente > — aprovado, com ajustes, sem retorno. Isso é relatório de situação, não organização de > trabalho: reproduzia a visão do cliente numa tela que existe para a equipe. O eixo estava > errado desde o começo. **A linha é a tarefa, não o item.** E o eixo padrão é quem faz. Tarefa é qualquer coisa a fazer num item, de duas procedências: - **pedido do cliente** — o comentário que chegou pela janela de revisão - **tarefa interna** — o que o estúdio se dá para fazer, e que o cliente não vê No banco são a mesma linha de `comentarios`, com autor de lados diferentes: `revisor_id` para o cliente, `usuario_id` para o estúdio. A coluna já existia no schema e nunca tinha sido usada. O filtro do que o cliente enxerga é um único ponto no acesso a dados, não uma regra repetida em cada tela — e, no servidor, precisa valer em toda rota. Isso fecha um buraco que a especificação inteira tinha: **não havia como registrar trabalho que não veio de reclamação do cliente.** "Trocar o HDRI, está estourando o vidro", "conferir a câmera contra a planta", "render final em 5000 px" — nada disso é pedido de ninguém, e é a maior parte do que o estúdio faz numa rodada. **Colunas:** situação, tarefa, item, arquivo de origem, responsável, etapa. O arquivo de origem é coluna porque é por ele que o artista se acha no explorador e no 3ds Max. O título é o que o cliente lê; o nome do arquivo é o que a equipe abre. **Agrupar por responsável, etapa, item ou situação.** Por responsável responde "quem está com o quê"; por etapa responde "o que falta na iluminação"; por item responde "o que ainda pega nesta imagem". O balde **Sem responsável** vem sempre primeiro — é dele que o coordenador tira o que ainda não repassou. **"Só as minhas"** transforma a mesma tela na lista pessoal do artista. Gerente e artista usam a mesma tela com filtro diferente, em vez de duas telas que divergem com o tempo. **Criar tarefa dentro do grupo já herda o grupo.** Criada dentro de "Iluminação", nasce na iluminação; dentro de "Pós-produção", nasce atribuída. Evita o segundo passo que faz a pessoa desistir de registrar. **A situação avança num clique na bolinha** — pendente, em execução, resolvido. É o gesto mais repetido do dia; não pode custar abrir um menu. **Descartado:** deixar o usuário montar as colunas. Seis cobrem o caso, e editor de colunas é a porta de entrada para virar planilha — que é o que a plataforma existe para substituir. **Descartado:** prazo por tarefa. O prazo que importa é o da rodada, e prazo por tarefa em estúdio pequeno vira campo que ninguém preenche. ## M16 — Cada um edita o que escreveu · MUDA O BANCO Faltava o óbvio: escrever errado e não poder corrigir. O cliente manda "parede bege" quando queria dizer "terracota" e não tem como consertar — sobra mandar outro comentário desdizendo o primeiro, e a equipe fica com dois pedidos contraditórios na fila. | quem | edita | quando | |---|---|---| | revisor do cliente | os comentários que ele mesmo escreveu | enquanto a janela estiver aberta | | pessoa do estúdio | as tarefas internas que ela mesma criou | na fase de execução | **O estúdio não edita comentário do cliente. Nunca.** Registro que a outra parte pode reescrever não serve de prova numa discussão de escopo — e essa prova é metade do valor do produto. Se o pedido está confuso, o caminho é responder perguntando, não corrigir a boca do outro. Texto alterado ganha a marca **editado**. Quem apagar, apaga de vez: apagar comentário sem resposta é diferente de apagar um que a equipe já respondeu, e o segundo caso pede confirmação. A permissão é conferida **na ação**, não escondida na interface. É a mesma exigência que `docs/05-telas.md` faz do servidor, e o protótipo segue a regra para não ensinar o contrário a quem for implementar. Colunas novas em `comentarios`: `editado_em`. A cadeia de quem editou o quê fica em `eventos`. ## M17 — Cronograma por etapas, compartilhado com o cliente · MUDA O BANCO > Primeira tentativa descartada. Ela tinha uma linha por **lote de entrega** — "fachadas na > quinta, áreas comuns na semana que vem". Funcionava, mas o eixo estava errado: quem coordena > pensa em etapa do pipeline, não em pacote de arquivos, e o lote acabava sendo um segundo > lugar para guardar data. As tabelas `entregas` e `entrega_itens` saíram. **Uma faixa por etapa do pipeline**, com início e fim planejados. Isso é plano de coordenação, não estimativa por tarefa — a distinção importa e é o que separa um cronograma que se mantém de um que ninguém atualiza. "Iluminação de 18 a 20 de agosto" vale para a rodada inteira; ninguém desenha uma barra por imagem. Barra por tarefa vira promessa, promessa vira cobrança, e em duas semanas o cronograma só serve para provar atraso. **Entrega não é linha própria: é o fim da última etapa.** Ter as duas coisas era ter a mesma data em dois lugares para divergirem na terceira semana. ### Editável de dois jeitos Arrastar a barra move a etapa inteira; puxar a borda estica de um lado só; e há dois campos de data para quando a precisão importa mais que o gesto. Tudo encaixa no dia — meia-data não existe num cronograma de produção. **Reencadear** recoloca todas as etapas em sequência a partir do fim da janela. Preferido a empurrar as seguintes automaticamente a cada arraste: automático parece mágica, quebra a intenção de quem queria sobrepor duas etapas de propósito, e não dá para desfazer com clareza. O percentual dentro da barra vem das etapas de M13 — o cronograma anda sozinho conforme a equipe marca no quadro. ### O cliente vê o mesmo cronograma É a parte que muda a relação. Ele abre o link e enxerga onde a produção está e, principalmente, **quando será chamado de novo**: - **Sua janela de aprovação** — a atual, com quantos dias faltam - as etapas **públicas**, com o nome público de cada uma; etapa marcada como interna some da visão dele mas continua contando no percentual - **Entrega da versão seguinte** - **Sua próxima janela de aprovação** — projetada logo após a entrega, hachurada por ser previsão Esse último item é o que ninguém dá ao cliente: a data em que ele vai precisar parar para olhar de novo. É agenda dele, não do estúdio, e é o que faz a rodada seguinte não atrasar por indisponibilidade. **O cronograma aparece para ele em todas as fases**, não só durante a execução. Foi um erro da primeira versão: era justamente com a janela aberta — quando ele está com a plataforma na mão — que ele mais quer saber quando vai ser chamado de novo. Um atalho no topo leva até lá, porque a página do cliente é longa e a informação estava no fim. Tudo isso obedece ao interruptor de M14. Desligado, ele vê só a data de entrega. ### Detalhes de interação que custaram bug **A alça de arraste sai da posição do clique, não de elementos fixos.** A primeira versão tinha uma alça de 9 px em cada ponta da barra; numa etapa de um dia a barra inteira tem 11 px, então as duas alças cobriam tudo e não havia como mover — só redimensionar. Agora a barra decide o modo pela distância até a borda, e barra estreita é sempre "mover". **O ícone da ferramenta de mover virou uma cruz.** Era uma mão desenhada num traço único cheio de arcos, e a 16 px isso não lê como mão — lê como rabisco. Cruz de quatro setas é geometricamente simples e não tem como sair errada. **Duas checagens que uma agenda não faz:** - etapa que **começa antes de a janela do cliente fechar** levanta aviso — é a regra 1 do produto desenhada na linha do tempo - etapa vencida com item em aberto fica vermelha **Descartado:** calcular as datas a partir do progresso. Estimativa automática erra, e errar uma data que a ferramenta prometeu ao cliente é pior do que não prometer nada. **Descartado:** caminho crítico e dependência entre etapas. É a segunda coisa que transforma cronograma em ferramenta que ninguém mantém. ## M18 — Contas, convites e e-mails · MUDA O BANCO Faltava a porta de entrada inteira: não havia cadastro, login, convite de equipe nem redefinição de senha, e os e-mails eram uma lista de quatro nomes em `03-arquitetura.md`. Telas e os oito modelos de e-mail estão no protótipo, no menu do avatar. As regras de servidor — token, hash, expiração, limite de tentativa, SPF/DKIM/DMARC — estão em `docs/11-contas-e-emails.md`, que é o documento a seguir na implementação. **Um erro do schema v1 apareceu ao escrever isso:** `usuarios` tinha `UNIQUE (email)` global. Contradiz D2 — a mesma pessoa pode ser terceirizada de dois estúdios, e o primeiro a cadastrar trancaria o endereço para o outro. Virou `UNIQUE (estudio_id, email)`. ## M19 — Dois papéis do lado do cliente · MUDA O BANCO · **REVISA D8** O modelo tratava todo mundo do lado do cliente como a mesma pessoa: um link por rodada, e a página perguntava *"quem é você?"*. Duas coisas erradas nisso. **A pergunta não se verifica.** Qualquer um com o link escolhia ser qualquer um e assinava comentário no nome dele. Autoria que a própria pessoa declara não é autoria. **E as pessoas não são iguais.** Quem coordena a revisão volta toda semana; quem revisa aparece uma vez por rodada. A régua certa é a **frequência de uso**, não a hierarquia: | papel | senha | como entra | |---|---|---| | **Gerente do cliente** | sim | e-mail e senha | | **Revisor** | não | link pessoal por e-mail | D8 dizia "se precisar criar conta, o estúdio não usa". Isso vale para o revisor — que não tem nada em jogo e abandona no primeiro cadastro. Não vale para quem coordena: essa pessoa quer voltar, quer o histórico e, principalmente, **quer organizar quem revisa sem depender do estúdio**. Para ela senha é serviço, não atrito. **"Só e-mail" não é digitar o e-mail e entrar** — isso deixaria qualquer um ler o projeto sabendo um endereço. É link mágico: digita, recebe um link de uso único de 30 minutos, entra, e o aparelho fica reconhecido por 30 dias. A caixa de e-mail vira o fator, no mesmo nível do "esqueci a senha" — que é por onde qualquer conta do mundo cai de qualquer jeito. ### O que muda além de ter conta **Link por pessoa, não por rodada.** O comentário sai assinado sem perguntar nada, e tirar o acesso de uma pessoa não derruba o das outras. A tela "quem é você?" foi removida. **O gerente monta a própria lista.** Antes o estúdio perguntava por e-mail quem ia revisar, digitava tudo, e refazia a cada troca de gente no escritório do cliente. Quem sabe quem revisa é o cliente. O estúdio continua podendo incluir, para não travar a primeira rodada. **O cliente virou entidade.** Era `projetos.cliente_nome`, um texto — não havia onde pendurar as pessoas nem o histórico entre projetos, que é justamente o que dá ao gerente uma casa para voltar. **O link aberto sobrevive, desligado por padrão.** É a saída para o cliente que se recusa a abrir e-mail, que era o caso que motivou D8. Ligado, comentário de convidado não tem autor confiável e não dá para revogar individualmente — e a tela diz isso na hora de ligar. **Descartado:** senha para o revisor. Seria coerente e mataria a adoção. **Descartado:** deixar o gerente encerrar a janela sozinho. É P3 e continua em aberto — ele pode declarar que terminou, mas quem fecha a rodada é o estúdio, que é quem responde pelo prazo. --- ## O que continua em aberto `docs/07-pendencias.md` segue valendo. Duas atualizações: **P1 — cobrança.** A recomendação de lá (por pessoa, com cota) continua certa, e M2 dá um argumento a mais: vídeo consome disco e banda numa ordem de grandeza diferente de imagem, o que reforça a cota de armazenamento como trava do plano em vez de eixo de preço. Uma escada possível, a confirmar com clientes reais e não com planilha: | plano | pessoas do estúdio | projetos ativos | armazenamento | |---|---|---|---| | Estúdio | 3 | 5 | 50 GB | | Time | 10 | 20 | 250 GB | | Sob medida | — | — | negociado | Convidado do lado do cliente nunca conta como assento. É o que torna o produto vendável, e é o que ReviewStudio já faz. **P4 — prazo automático.** A recomendação de avisar em D-1, fechar no vencimento e permitir reabrir com um clique está implementada no protótipo v2 como comportamento assumido. Falta decidir de verdade. **Novo — P7: retenção de vídeo.** O original de vídeo é ordens de grandeza maior que o de imagem. Provavelmente não deve ficar no servidor: o estúdio sobe a cópia de revisão e guarda o master. Falta decidir se a plataforma aceita o master e o que promete sobre ele.